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Na pressa dos dias...


Pequenos vestidos, pequeno almoço tomado, saem todos de casa, uns para a escola de francês, outros para o parque, para aproveitar este maravilhoso sol com que fomos brindados e só eu fico em casa.
Permito-me a abandonar toda a logística que a casa exige, camas por fazer, loiças por arrumar, roupas por tratar, almoço por fazer... e decido abraçar este silêncio que invade a casa.
Esqueço-me de abraçar mais vezes este silêncio raro. 
Sempre na urgência de fazer qualquer coisa, de não deixar nada para depois, de ter quase medo de somente sentar-me e ficar, sempre no reboliço de escrutinar e repensar este excesso de futuro, que me deixa por vezes tonta.
Com este silêncio bom por perto, pego no livro que já arrasto há alguns meses e mergulho na prosa dorida e confusa de João Tordo no "O luto de Elias Gro".
Na pressa dos dias esqueço-me de ler. Esqueço-me de como um livro nos permite ser tanto. Esqueço-me de como ler me trás a quietude que agora o meu corpo exige.
Entrego-me a este tempo só meu e decido só vir à tona quando viro a última página do livro.
Mesmo a tempo de tomar banho, escrever este post e sair a voar para pegar e abraçar o melhor do meu mundo.

Na minha mesa de cabeceira #12


Comecei O meu amante de domingo há uns dias e terminei-o hoje. É um livro pequeno, organizado
em capítulos curtos, estilo folhetim, onde é contada a história de uma mulher de cinquenta anos, à beira de um ataque de nervos, obcecada com a ideia de matar um homem que designa de "caubói".
A prosa é muito intensa, sempre em ritmo acelerado, carregada de um tom de fúria e raiva, sem contemplações na utilização de palavrões e com a descrição de cenas de sexo explícito que surgem sem pudor.
Entre desabafos e confidências, emoções levadas ao extremo e passando por estados de delírio, sempre num clima de constante inquietação, o livro é repleto de um vocabulário riquíssimo e adornado por diversas referências literárias.
Apesar de não ser o estilo de livro que mais me enche as medidas tem excertos de prosa verdadeiramente geniais, daqueles que me enchem mesmo as medidas, como este:



Então, 1.º de Maio no Alentejo, dia de povo no palanque, de Viva Catarina Eufémia, de Zeca Afonso no altifalante, e eu desafinando no quintal, colhendo as nêsperas:

Maio maduro Maio, quem te pintou
quem te quebrou o encanto, nunca te amou
raiava o sol lá no sul
ti ri tu ri tu ri tu ru
ti ri tu ri tu ri tu ru
e uma falua vinha lá de Istambul

Zeca Afonso é como Carlos Paredes, quando ouço sei que sou portuguesa, mas não posso pensar nisso agora, caralho, ainda me dá para chorar.

Sempre depois da sesta chamando as flores
era o dia da festa
Maio de amores
era o dia de cantar
ti ri tu ri tu ri tu ru
ti ri tu ri tu ri tu ru
e uma falua andava ao longe a varar

Além de se ouvir Zeca ao longe, o melhor do meu quintal é a sombra da nespereira atravessada pelo sol. A frente da casa está voltada para o Norte e para a manhã o que quer dizer que o quintal se volta para o Sul e para a tarde. Portanto, a sombra dura toda a descida do sol, que em Maio está perto de ser a mais longa, horas de uma filigrana em movimento, projectada na cal e no anil que os árabes deixaram cá. Evidente, o meu Lada mal passa na rua, a rua tem calhaus medievais, uma gaja não pode usar saltos altos, e, em certos sábados, o mantra dos morcegos é interrompido por covers dos Xutos e Pontapés.

Há um invulgar número de morcegos na cidade, o que a protege dos mosquitos e lhe dá um sono gótico. De resto, as noites são tão quietas quanto os dias, o tudo-como-sempre-foi que atrai os de fora e afasta os de dentro, porque uns vêm para ficar quietos e outros partem para arranjar emprego. A rarefacção é uma história alentejana, mas ainda há quem ligue o passado ao presente pelas oliveiras, como na antiga promessa do Mediterrâneo, quando Oriente e Ocidente aqui confluíam num mundo só. E o Alentejo continua a ser Mediterrâneo, a quinhentos quilómetros de Gibraltar. O pior do meu quintal é que justamente não dá para ver isso, porque ao fim de seis passos acaba, em volta tem um muro branco, por cima só uma nesga de céu entre as copas. Está sempre voltado para dentro, mesmo agora, de porta aberta. A mangueira com que rego tudo e a mim mesma é o mais próximo de respirar. Então, todos os dias subo ao Castelo a pé, para que os olhos corram como um cão que estava preso, até onde a terra cai no outro lado.

Na minha mesa de cabeceira #11

Hoje terminei de ler Não se encontra o que se procura do Miguel Sousa Tavares.
O Miguel Sousa Tavares é um autor muito discutido, ou por outra, as suas ideias e críticas políticas são muito discutidas, mas para mim, como escritor, ele é imenso.
Herdou de forma indiscutível os genes da grande escritora e poetisa Sophia de Mello Brynner, sua mãe.
Neste livro, são reunidos alguns dos seus textos apresentados em palestras ou festivais de literatura, outros que foram escritos apenas em forma de diário de bordo de viagem ou de circunstância, outros ainda são crónicas históricas sobre determinados acontecimentos no mundo ou sobre determinadas personagens históricas como Winston Churchill ou Lawrence T. Elliot (o famoso Lawence das Arábias) e outros são ainda simplesmente retalhos de memória.
Todos igualmente intensos de tão bem escritos.
Daquela escrita que eu chamo de quente, porque nos deixa tão feliz e reconfortados quando a lemos, daquela escrita que nos deixa com pena de terminar e que nos deixa com saudades daqueles que então conhecemos entre páginas, daquela escrita que nos emociona e que quando a decidimos ler alto a alguém somente para partilhar o quão grandiosa é, nos deixa de voz embargada, sem conseguirmos manter uma leitura clara e firme.

Na minha mesa de cabeceira #10

Antes de partirmos para os EUA comecei a ler, por sugestão do meu amor maior, Notas sobre um País Grande, do Bill Bryson.
Deste mesmo autor, já tinha lido há alguns anos a Breve história de quase tudo e apesar de ser um livro super interessante não me arrebatou de forma tão intensa e divertida como as Notas sobre um País Grande, provavelmente, muito em parte, devido ao facto de agora viver num estado americano.
O Bill Bryson é americano, mas saiu dos Estados Unidos ainda jovem e entretanto casou com uma britânica, teve quatro filhos e viveu durante 20 anos em Inglaterra.
Porém, há alguns anos atrás, a família decidiu mudar-se de armas e bagagens para os Estados Unidos.
Em Notas sobre um País Grande, o Bill Bryson reuniu as primeiras 78 crónicas que escrevia semanalmente já de terras americanas, para a revista inglesa  Mail on Sunday´s Night and Day, relatando a sua readaptação ao seu próprio país, aos seus costumes, tradições, hábitos, língua, alimentação, sociedade...
Estas crónicas são qualquer coisa de hilariante.
O Bill Bryson pega nos assuntos de uma maneira muito minuciosa e peculiar, dá-se ao trabalho de distrinçar um assunto aparentemente sem interesse nenhum de uma forma mesmo muito intensa e tudo com um humor caustico fantástico. Os temas abordados e a forma como eles os escreve faz-nos sorrir frequentemente, gargalhar até e então para mim, que no momento em que li o livro estava a viver o meu primeiro mês em Houston e a encarar pela primeira vez muitas das situações descritas, foi mesmo muito interessante e divertido.
O Billy vai desenrolando o seu sarcasmo pelos hábitos americanos de uma forma que apenas um nativo que viveu 20 anos fora e vivenciou outras sociedades pode fazer.
Fala da quantidade imensurável de marketing e de consumismo neste país, da forma como os americanos forjam tanta informação, incluindo estudos científicos desde que esses estudos recebam um grande donativo de uma empresa para o qual um dos lados desse mesmo estudo científico seja mais favorável, fala em como todas as pessoas só se deslocam de carro para todo o lado e em como permanecem a maior parte do seu dia em recintos com ar artificial, em como tudo tem tantas regras e avisos não sendo possível quebrar nem uma delas sob pena de bla, bla, bla, fala das imensas burocracias e em como estas dificultam imenso uma tarefa inicialmente julgada simples, fala da pena de morte, fala de como a nossa vida aqui é infinitamente vigiada por tudo e todos, fala dos desportos americanos, dos feriados como o 4 de Julho e o dia de acção de graças, do excesso de simpatia, de zelo e de ajuda que todos os cidadãos americanos têm pelo seu vizinho...
Ao ler cada uma destas crónicas, revi-me e diverti-me imenso.
Este livro é o american way of life no seu melhor.

Happy Parents


Sou uma apreciadora de BD q.b.
Sou super fã da Mafalda do Quino e adoro as tiras do Calvin and Hobbes do Bill Watterson.
No fundo, gosto de tiras curtas que me façam rir e que não contem verdadeiramente uma história.
Antes do Natal, cruzei-me com esta BD, Happy Parents, numa das nossas livrarias preferidas daqui e li uma ou duas tiras. 
Ri-me tanto sozinha, não por a tira ter assim tanta piada, mas porque de facto me revi imenso naquela situação, que resolvi oferecer o livro ao meu amor maior.
Quando nós pensamos que temos episódios familiares caricatos, não imaginamos que o vizinho do lado os possa ter exactamente iguais, mas tem, e este livro de BD expõe alguns episódios comuns de uma família com muita piada.


Na mesa de cabeceira #9

 Desde que fomos de férias a Portugal que as minhas leituras se desleixaram... Tinha iniciado antes de partirmos o Canadá de Richard Ford, mas nas férias nem uma linha li. 

Desde que regressámos a Bruxelas e como as noites não têm sido famosas, quando me vou deitar já não consigo ler nada de jeito.

Por isso o Canadá tem estado em stand-by mas, nos entretantos, tenho lido aqui e ali o novo livro de crónicas do Miguel Esteves Cardoso Amores e saudades de um português arreliado.



No entanto, ontem, iniciei um outro livro, La liste de mes envies.
É um livro pequeno e que tenho que terminar até à próxima quinta-feira porque é sobre ele que vamos falar na aula de francês (sim, estou de volta às minhas aulas de francês!)
Nunca tinha ouvido falar deste livro, mas, parece que foi um livro muito vendido por cá e por França e que até foi adaptado para teatro e para filme.

Matilde Campilho

A Matilde foi colega de escola do meu irmão.
Até então, nunca tinha conhecido ninguém que se chamasse Matilde e, na altura, a sonoridade do nome soou-me perfeita. 
Naqueles tempos, olhava para ela com espanto, parecia-me uma criança muito despachada e corajosa.
Via-a algumas vezes com o seu traje de montar a cavalo, e no meu imaginário de criança, criei uma imagem da Matilde estilo mulher amazona.

Anos mais tarde, cruzei-me com ela nas aulas de desenho do Arco e falámos um pouco do rumo que as nossas vidas levava.

Agora, de repente, cruzei-me novamente com o nome Matilde Campilho, desta vez a propósito do lançamento do seu novo livro, Jóquei.




No lançamento do livro, a apresentação inicial foi feita pelo conhecido Pedro Mexia.
Depois ouvi esta entrevista da Matilde tão descontraída e sincera.




e ouvi alguns dos seus poemas, declamados por ela mesma, como este...



Fiquei curiosa com o que esperar do Jóquei...
Quero chegar a Portugal, ter o prazer de entrar numa livraria portuguesa, comprar o livro da Matilde, lê-lo e descobrir se posso continuar a guardar a recordação que tenho de infância, da Matilde como mulher amazona.
Matilde was my brother´s school colleague.
Until then, I have never had heard the noun Matilde, and in that time I thought that Matilde´s sonority was perfect.
Those times, I looked at her and thought she was really a brave and hustler child.
I saw her sometimes, in her horse riding costums and I built in my imaginary, a Matilde´s image, like an amazon women.
A few years later, I saw Matilde, in some drawing lessons at Arco and we talked about the course of our lives.
Now, I found Matilde Campilho in internet news, because she has published a book, Jockey (free translation).
I read that Jockey presentation to the public was made by the well-known Pedro Mexia, I also heard this honest and relaxed Matilde interview…

and I heard some of her poems, recited by herself, like this one…

I´m curious about Jockey.
I want to arrive to Portugal, have the pleasure to enter in a Portuguese bookstore, to buy Matilde´s book, read it and find if I can still keeping my childhood memory of Matilde, like an amazon women.


Na mesa de cabeceira #8


Tenho andado desleixada com os résumés das minhas leituras e agora tenho muito para contar de uma só vez...

Pois bem, da última vez tinha decidido que iria começar logo de seguida com o Mi Buenos Aires Querido, mas pelo caminho apareceu o presente de anos da minha mãe com dois livros, O que sei dos Homenzinhos do Juan José Millás e Prepara o teu filho para a vida do Javier Urra e resolvi começar por estes.

O que sei dos Homenzinhos é um livro pequeno, que se lê rapidamente já que tem um tipo de escrita fluída e simples, mas ao mesmo tempo muito rica em metáforas inesperadas entre o mundo finaceiro e biológico, real e irreal. O tema do livro centra-se na vida de um professor universitário que, por ter uma vida demasiado solitária, começa a vivenciar pequenos episódios irreais com um pequeno homenzinho, que é um duplo de si mesmo. Estes episódios ao longo do livro assumem uma tal preponderância que, para mim, não são mais que momentos de pura loucura.
O argumento só por si não me cativou, mas o texto é muito sincero e repleto de originalidade nas metáforas utilizadas.

De seguida comecei com o Prepara o teu filho para a vida do Javier Urra. 
Já há algum tempo que me apetecia ler um livro sobre pedagogia infantil e fiquei contente de a minha mãe me ter enviado este belo exemplar. 
Desde que os meus filhos nasceram, para além de ter lido os livros de desenvolvimento infantil mais conhecidos do Mário Cordeiro e do Pedro Oom, li apenas um livro sobre pedagogia infantil, Guia de Bolso para Pais de Gail Reichlin e Caroline Winkler, muito prático mas bom e que resume diversas ideias chave na educação de uma criança.
Nesta altura e com os desafios que nos se têm posto por vezes com o nosso pequeno trufãozinho, já sentia que gostava de ler um outro livro sobre a temática da pedagogia infantil, pois apesar de confiar imenso na minha intuição e na do meu amor maior como pais e de falar de diversos temas com a minha mãe, é sempre bom ler livros especialistas na matéria porque nos reavivam os pilares fundamentais que devemos seguir e tomar atenção.
Este livro é de facto um especialista na matéria de "educar bem" e resulta de uma pesquisa exaustiva não só do próprio autor mas também de muitos outros autores também especialistas na matéria. O livro guia-nos e elucida-nos sobre as "vacinas psicológicas" que devemos administrar aos nossos filhos para que neles cresçam os valores que melhor os irão preparar para todas as surpresas que a vida lhes trouxer. 
Insiste em pilares fundamentais da educação que criem crianças que se saibam elevar perante um acontecimento menos bom, que sejam flexíveis, que se saibam adaptar às mudanças, que sejam sempre optimistas e bem humorados com a vida, que sejam resilientes, valentes, perseverantes, responsáveis, cooperantes, criativas, amantes do saber, respeitadoras, pacientes, tolerantes, esforçados e autónomos.

Ao mesmo tempo que li o Prepara o teu filho para a vida li o Mi Buenos Aires Querido.
Um livro de colecção, com uma edição muito bonita.
Eu sou suspeita, porque gosto imenso do trabalho do Carlos Vaz Marques e sendo ele o coordenador desta colecção (e também o tradutor deste livro em particular) não seria de esperar outra coisa que não esta bela edição.
O livro propriamente dito é muito bom, mas, mais uma vez, devo dizer que sou suspeita porque por norma adoro a escrita sul americana.
As descrições da cidade são lindíssimas e com conteúdos históricos e arquitectónicos muito interessantes.
Uma das informações singulares e curiosas que aprendi com este livro, entre outras, foi que Buenos Aires é das cidades do mundo com menos espaços verdes. Tem apenas 1,77 metros quadrados de espaços verdes ajardinados por habitantes, enquanto Nova Iorque e Bruxelas possuem uns fantásticos 20 metros quadrados de espaços verdes ajardinados por habitantes.
O autor não passa por todos os locais turísticos de Buenos Aires, mas sim por aqueles que estão inscritos no seu coração e nas suas vivências na cidade, como ele tão bem explica : " Frente ao desafio de escrever sobre a complexa cidade de hoje, e a impossibilidade de abarcar Buenos Aires na sua densa malha urbana - na realidade, há várias cidades distintas dentro dela, cada uma com as suas características próprias, inconfundíveis com as do bairro vizinho - vislumbrei uma única escolha possível: referir-me à "minha" cidade, (daí o título que dei a este livro), o espaço delimitado onde decorreu a minha já longa vida..." ... "... Mas quero ser fiel aos cenários que conheço em vez de fingir uma cidadania ecuménica, essa condição absoluta de portenho a que aspiram imaginariamente alguns vates antiquados."

Agora, para mergulhar por Julho a dentro, iniciarei o Canadá de Richard Ford.

Na mesa de cabeceira #7 : : On my bedside table #7

Todas as minhas licenças de maternidade são muito pródigas em leituras. Isto porque sempre dei de mamar aos meus pequenos e amamentar durante cinco meses, gera muitas horas de pausa no nosso dia (ou não!). Nessas horas, quase sempre aproveito para deleitar-me com o meu bebe e decorar-lhe todos os pormenores, mas nas mais tranquilas, leio. Assim, acabo por ter sempre pelo menos uma hora de leitura por dia, o que na vida de um comum mortal é um luxo. Então quando tenho pela frente livros como o do João Tordo, muito, muito poderosos, é difícil não terminá-los num ápice.

A Biografia involuntária dos amantes lê-se de um fôlego só. É daqueles livros que não se consegue parar de ler e quando paramos estamos sempre curiosos com o que virá a seguir. A história, magnífica, empolgante e original, tenta mostrar-nos se é (im)possível existir vida depois de um grande trauma emocional, tudo escrito de uma forma magistral. Há diversas passagens do livro que ficam retidas na nossa memória de tão flagrantemente verdadeiras que o são, como: " Um dia acordamos esquecidos de nós e, no dia seguinte, andamos curvados no passeio à procura de coisas que não existem ou sentamo-nos a falar sozinhos nos cafés; esquecidos de nós e dos outros." Deixei-o com pena de não haver mais e com vontade de voltar a este autor.

Peguei entretanto no Se não podes juntar-te a eles, vence-os do Filipe Homem Fonseca que, por ser um livro pequeno, também já o terminei. Se este livro fosse mais volumoso, teria demorado bastante mais a conclui-lo, já que foi uma leitura não muito agradável para mim. É um livro que contém uma grande crítica à sociedade portuguesa actual, mas a forma como esta crítica é inserida numa história tão sinistra, desesperada e negra e o tipo de escrita corrida adoptado, deixou-me sempre com um mau sentimento de cada vez que o lia. Ainda bem que já terminou. 

Agora ainda não comecei nenhum outro livro... Estou indecisa entre o Canadá do Richard Ford ou o Mi Buenos Aires Querido do Ernesto Schoo, mas penso que me vou decidir por este último.


I read a lot in all my maternity licenses. I breastfed all my children during 5 months which gives me a lot of time breaks (or not!) during the day. During these time breaks I observe my baby and memorize all his details, but there is another time breaks, more peaceful, and in that ones I read. 
So, during my maternity licenses, I usually read at least one hour per day, which is really good, and if I catch a book, like João Tordo´s book, I finish it in a glance. 

I read the “Biografia involuntária dos amantes” (may be translated as – Lovers involuntary biography) very quickly because this is a kind of book which we cannot stop reading it, and when we stop, we are always wondering to continue it again. The wonderful, exciting and original story tries to show us it is (im) possible to have a life after a great emotional trauma, all written in a magnificent way. There are several passages so blatantly true in the book that we retain in our memory, like: "One day we woke up forgotten of us, and the next day, we walked hunched on the sidewalk looking for things that are not there or we sat on the cafes speaking alone, forgotten of ourselves and others". I left it wishing that it could continue and with the certain that I want to come back to this author. 

In the meantime, I caught Se não podes juntar-te a eles, vence-os (may be translated as – If you cannot join them wins them) by Filipe Homem Fonseca, which for being a small book, I had already finished it. If it was a larger book, I would certainly have taken much more time to complete it because this reading was not very pleasant for me. This book contains a great Portuguese society critique, but the way that this critique is inserted in such a grim, hopeless and dark history, always left me with a bad feeling, every time I read it. I´m glad it's over. 

Now I have not started any book… 
I'm undecided between Canada by Richard Ford or Mi Buenos Aires Querido by Ernesto Schoo, but I think I will choose the last one.

Na mesa de cabeceira #6 : : On my bedside table #6

Depois de ter terminado "Para onde vão os Guarda Chuvas" do Afonso Cruz, li uma literatura light, rápida e divertida, "Humor de Mãe", da Inês Teotónio Pereira e agora, estou já completamente embrenhada no "Biografia Involuntária dos Amantes", do João Tordo.



Gostei muito de ler "Para onde vão os guarda-chuvas". É um livro muito rico e bem escrito que espelha bem a multidisciplinaridade do autor. Neste livro podemos desfrutar de uma narrativa filosófica, rodeada sempre de um clima religioso, seja ele, católico, muçulmano ou hindu, que nos guiam por diversas questões incontornáveis da vida de um ser humano. A narrativa é sempre um pouco trágica, incluindo o final, o que para mim não é um ponto a favor, porque eu privilegio finais felizes, mas as tragédias que se vão desenrolando são descritas com muito humor e ironia e até mesmo o final é escrito com um suspense e uma descontracção simultâneos, relembrando-nos os contrastes da vida.

"Humor de Mãe" é um pequeno livro de crónicas de uma mãe de 6 filhos!!! A Inês é uma mãe muito divertida, descontraída e prática e expõe esta grande aventura de ser mãe de seis filhos de uma forma muito pragmática. As crónicas são divertidas e espelham muitos episódios que são comuns a todas as mamãs. Confesso que não partilho de algumas das opiniões da Inês e penso que em algumas crónicas poderiam ter sido evitadas as conotações políticas, mas, cada cabeça sua sentença....

Agora, tenho o Saldaña Paris, como vizinho do lado, na "Biografia Involuntária dos Amantes"...
After finishing "Para onde vão os guarda-chuvas" (Literal translation is - Where do the umbrellas go), by Afonso Cruz, I read some light literature ”Humor de mãe” (Mother’s humor), by Inês Teotónio Pereira and now, I’m completely involved by "Biografia Involuntária dos Amantes" (May be translated as – Lovers involuntary biography) by João Tordo.

I loved reading "Para onde vão os guarda-chuvas". It´s a rich and wonderfully written book, showing well the author´s multidisciplinary.

The philosophical narrative, with a religious atmosphere, rather Catholic, Muslim or Hindu, guides us around life’s big questions.

The story is always a bit tragic, even the end, which for me is a low point as I prefer happy endings. Nevertheless, all the tragedies are written with irony and humor including the end, written with suspense and relaxation at the same time, reminding us of life’s contrasts.

"Humor de Mãe" is a little chronicle book written by a mother of 6!!! Inês is a very amusing, relaxing and practical mother. She wrote this big adventure, of being a mum, in a very pragmatic way. Each chronic shows the daily life of this mum and different typical episodes.

I do not agree with every Inês’s opinion and I also think that some politic connotations could have been avoided, but each one of us may think for himself.

Now, I already have a new neighborhood, Saldaña Paris, in "Biografia Involuntária dos Amantes"...

Na mesa de cabeceira #5 : : On my bedside table #5


Terminei de ler "A Lacuna" da Barbara Kingsolver e comecei a ler "Para onde vão os guarda-chuvas" de Afonso Cruz.

"A Lacuna" é um livro brilhantemente escrito resultante de um trabalho da parte da escritora que durou 7 anos. É um livro muito intenso, de acção lenta mas com belíssimas descrições. 

O personagem principal deste livro é de tal forma bem descrito e detalhado, bem como todos os episódios por ele vividos decorridos em momentos importantes da história do México e da América durante a primeira e a segunda metade do século XX e ainda todas as outras personagens reais integrantes deste livro, como Frida Kahlo, Diego Rivera e Lev Trotsky, que tudo nos leva a crer que a história se passou de verdade. Mas não, tirando os momentos e personagens históricos, que de facto foram reais, toda a restante obra é pura ficção de grande qualidade. Entretanto, aguardo curiosa pelo desenrolar do "Para onde vão os guarda-chuvas", já que o Afonso Cruz tem sido um autor bastante premiado, ainda que o início seja bastante trágico, .



I finished reading “The Lacuna” by Barbara Kingsolver and I started to read "Para onde vão os guarda-chuvas" by Afonso Cruz.

“The Lacuna” is a brilliant book written in seven years. It is an intensive book, with a slow action but wonderful descriptions.

With a deep main character living great moments of America and Mexico history and with important historical friends like Frida Kahlo, Diego Rivera e Lev Trotsky, we are induced to believe that all the book has been real, but no, it´s just fiction. A magnificent fiction.

Now, I'm curious about "Para onde vão os guarda-chuvas", because Afonso Cruz has already been awarded with some prizes, even with the story beginning in a very tragic way.

Livros Infantis : : Children Books




Uma das coisas em que mais investimos para os nossos pequenos, eu e o meu amor maior, são livros. Adoramos ir a uma livraria e explorar toda a infinidade de livros infantis. Eu gosto de descobrir novas histórias e principalmente de apreciar as ilustrações. 

Das útimas vezes que o meu amor maior esteve em Houston, trouxe dois livros infantis muito bonitos : This Moose belongs to me e Snatchabook. 

No primeiro sobressaem as ilustrações fantásticas e no segundo sobressai a história contada em rima de uma forma magnífica e com uma musicalidade perfeita.





I and my big love like to invest in good books for our children. We love to go to a bookstore and explore all the children books. I like to discover new stories and appreciate the illustrations.

The last time that my big love was in Houston he brought two beautiful children books: This Moose belongs to me and Snatchabook.

The first one has fantastic illustrations and the second one has a beautiful story in rhyme which gives it a perfect musicality.

Na mesa de cabeceira #4 : : On my bedside table #4

Já há alguns dias que deixei de partilhar as vidas de Leah, Natalie, Nathan e Felix, todos nascidos e criados em Caldwell, um bairro a Noroeste de Londres, personagens principais do livro NW. 

As suas vidas são vividas entre a esperança e o desespero, a crença e a incredulidade, a sabedoria e a ignorância, entre o desespero do passado e a incerteza do futuro, deixando-nos completamente presos no seu destino.

As origens da autora, permitem-lhe colocar neste livro toda a multiculturalidade da cidade de Londres e em especial deste bairro de uma forma muito real e cruel, mas simultaneamente contaminada  por monólogos interiores, enquadramentos cinematográficos, transcrições fonéticas e alguns ensaios poéticos.

Uma escrita muito inteligente, intensa, repleta de recursos linguísticos incomuns e originais que nos deixam mergulhar na história de uma forma muito profunda.
Agora, na minha mesa de cabeceira, tenho A Lacuna...


A few days ago I left Leah, Natalie, Nathan and Felix lifes, all of them born and raised in Caldwell, a Norwest London neighborhood and main characters of the book NW.

Their lives are passed between hope and despair, wisdom and ignorance, between the despair of the past and uncertainty of the future, leaving us completely stuck in their destiny.

The author´s origin, allow her to put in this book all the London multiculturality, specially in this neighborhood, in a very real and heartless way, but simultaneously contaminated by inner monologues, film frames, phonetic transcriptions and some poetic essays.

A very intelligent, and intense write, full of original and unusual linguistic resources which let us immerse to the history in a very profound way.

Now, on my bedside table, I have The Lacuna.

Na mesa de cabeceira #3 : : On my bedside table #3


Ontem terminei o "Herói Discreto" do Mario Vargas Llosa. Este é um daqueles livros que quando o acabamos de ler ficamos logo com uma pena imensa de já não o ter todos os dias connosco e de o ter terminado tão depressa... 

É uma escrita muito intensa, doce, quente, inesperada, com recursos linguísticos incomuns, metáforas originais, divertida e por vezes dura. Há livros que produzem em nós uma sensação de felicidade, que quanto a mim me parece de certa forma difícil de explicar, mas a verdade, é que sempre que lia este livro, me sentia feliz.

Existem livros que aparentemente têm enredos muito poderosos mas o modo como nos são propostos desmotivam-nos completamente. Há outros que não precisam de uma grande história, porque a grandeza está nos pequenos pormenores e detalhes e na forma como o escritor os descreve e conduz a nossa mente por entre meandros aparentemente menos importantes, mas tão valiosos.

O próximo que se segue, é o "NW" da Zadie Smith. Nunca li nada desta escritora, mas pelo que li da crítica geral, penso que também me espera uma grande leitura.



Yesterday I finished the new Mario Vargas Llosa novel, "Discreet Hero". There are books that when we finish it, we are missing them already. This is a wonderful book, with an intensive, sweet and funny write, unusual language resources and unique metaphors. There are books that can make us very happy when we are reading it, and this book has that kind of magic.

Some books have a great story line, but the way how the story line is showed to the reader it is really empty. There are others without a great story line, but with rich and precious little details, that can make everything.

Now, I´m going to start to read "NW" by Zadie Smith. I have never read nothing from this writer, but the general critic tells me that it´s going to be another great read.

Na mesa de cabeceira # 2

"O Império dos homens bons" foi terminado antes das férias do Natal e apesar de ser um livro com uma alguns factos históricos importantes da altura das colónias portuguesas, não é daqueles que recomende vivamente a alguém. O enredo, apesar de ser baseado numa história original, não consegue distinguir-se e tornar-se verdadeiramente interessante e a escrita não passa do modo mais ou menos trivial.


Com as férias de Natal, pudemos rumar às nossas queridas Almedina, Bertrand e FNAC e abastecer-nos de outras obras que andávamos a namorar. Trouxemos ainda outras da biblioteca pessoal da minha mãe, já que este ano quero ir intervalando obras novas com alguns clássicos que já há algum tempo ando para ler.

Desde o início do ano que tenho na minha mesa de cabeceira o novo romance do Mario Vargas Llosa. Li apenas um livro deste autor, já galardoado com o prémio nobel da literatura, quando estava grávida do António, "Tia Júlia e o Escrevedor" e gostei mesmo, mesmo muito. 

Gosto de vários escritores da América do Sul e este também é um dos que ficou no meu top.
Para já e ainda muito no início, não ficamos indiferentes a uma escrita tão poderosa, doce, quente e intensa. Cheia de cores, sabores e cheiros, tal como eu tanto gosto.

Na mesa de cabeceira #1





Tenho me esquecido de actualizar o que tenho andado a ler. 

Depois de deixar as Crónicas do Miguel Esteves Cardoso peguei neste, " O Império dos Homens Bons"... Nunca tinha lido nada deste autor, nem conheço bem a sua obra. Até ver tem uma escrita simples e fluída mas que ainda não me seduziu. 
Vamos ver o que ainda me espera, estou na expectativa para ver se a partir de certa altura tenho uma surpresa agradável ou se vou continuar no mesmo ritmo meio resfreado.

"Pessoal e Transmissível"

Um dos programas que gosto imenso de ouvir na rádio é o
"Pessoal e Transmissível" do Carlos Vaz Marques. Na generalidade, gosto dos entrevistados por ele escolhidos, sempre muito actuais e interessantes e quando gosto um pouco menos de um, parece que fico a gostar dele bastante mais, depois de o ouvir assim, neste registo. Gosto da maneira doce e calma como o Carlos Vaz Marques conduz as entrevistas com a sua voz risonha.
Um dos últimos programas que ouvi, vem a propósito do livro que entretanto já ando a ler, cujo o autor é o Miguel Esteves Cardoso.
Quando estou por terras lusas, umas das coisas que me dá muito prazer ler no Público é a crónica diária do Miguel Esteves Cardoso. Gosto de como ele escreve e sobre o que escreve. Escreve normalmente de coisas pequenas, julgadas sem interesse algum, coisas que muitas das pessoas não dão conta que estão lá. Coisas do quotidiano, coisas do dia a dia de todos, ou então não. Gosto de ler sobre o seu olhar acerca dessas coisas específicas.
O seu último livro, "Como é Linda a Puta da Vida", reúne muitas dessas crónicas e outras escritas por ele para outras publicações.
O programa do Carlos Vaz Marques, com o Miguel Esteves Cardoso, podem ouvir aqui.

"Tudo é e Não é..."

Este foi o último que li.
Um livro muito rápido de ler mas que me deixou uma sensação estranha dentro de mim.
Aquela mesma sensação de quando acordamos a meio de um sonho muito intenso e muito real e nos sentimos confusos, baralhados e precisamos de uns largos minutos para nos voltarmos a inteirar de quem somos e onde estamos...
Aquela sensação de quando damos por nós com o pensamento a voar descompassado, a galope, sem um fio condutor preciso e acabamos por chegar a um ponto e já nem sabemos qual foi a premissa de onde partimos e qual o caminho que percorremos até chegar ali.
Este livro deixa-nos assim, porque fala disso mesmo, dos sonhos. 
O protagonista do livro, António Valadares, vive a vida num constante limbo, entre o sonho e a realidade e a sua narrativa onírica deixa-nos também nesse limbo. 
Uma escrita limpa, fluida e poética.

BD

Não sou uma fã acérrima de Banda Desenhada. Digo isto porque a BD para mim se resume única e simplesmente à espectacular Mafalda do Quino e ao Calvin and Hobbes do Bill Watterson. Acho impressionante como estas BD têm o poder de me arrancar gargalhadas e levar às lágrimas em segundos.
Toda a minha adolescência andei com o livro "Toda a Mafalda" atrás, com toda a colectânea das tiras da Mafalda. Já o sabia quase todo de cor, mas nunca me cansava de o reler, porque havia tiras de facto maravilhosas. A Mafalda que odiava sopa, a Mafalda que adorava os Beatles, a Mafalda que se preocupava tanto com todos os males do mundo...



O Calvin and Hobbes li-o mais nos tempos de faculdade e de facto esta é uma BD verdadeiramente de mestre. Quando a leio revejo-me imensas vezes nela, em episódios da minha vida semelhantes e que nos fazem obviamente rir ainda mais por os ver assim retratados. Já por diversas vezes, me cruzei com diversas tiras que me fizeram lembrar o meu amor maior, como esta,



Com isto,


E depois, parto-me a rir....

É um autor muito perspicaz, o Bill Watterson, para mim um verdadeiro filósofo dos nossos dias, que faz coisas tão brilhantes como esta: