Tenho andado desleixada com os résumés das minhas leituras e agora tenho muito para contar de uma só vez...
Pois bem, da última vez tinha decidido que iria começar logo de seguida com o Mi Buenos Aires Querido, mas pelo caminho apareceu o presente de anos da minha mãe com dois livros, O que sei dos Homenzinhos do Juan José Millás e Prepara o teu filho para a vida do Javier Urra e resolvi começar por estes.
O que sei dos Homenzinhos é um livro pequeno, que se lê rapidamente já que tem um tipo de escrita fluída e simples, mas ao mesmo tempo muito rica em metáforas inesperadas entre o mundo finaceiro e biológico, real e irreal. O tema do livro centra-se na vida de um professor universitário que, por ter uma vida demasiado solitária, começa a vivenciar pequenos episódios irreais com um pequeno homenzinho, que é um duplo de si mesmo. Estes episódios ao longo do livro assumem uma tal preponderância que, para mim, não são mais que momentos de pura loucura.
O argumento só por si não me cativou, mas o texto é muito sincero e repleto de originalidade nas metáforas utilizadas.
De seguida comecei com o Prepara o teu filho para a vida do Javier Urra.
Já há algum tempo que me apetecia ler um livro sobre pedagogia infantil e fiquei contente de a minha mãe me ter enviado este belo exemplar.
Desde que os meus filhos nasceram, para além de ter lido os livros de desenvolvimento infantil mais conhecidos do Mário Cordeiro e do Pedro Oom, li apenas um livro sobre pedagogia infantil, Guia de Bolso para Pais de Gail Reichlin e Caroline Winkler, muito prático mas bom e que resume diversas ideias chave na educação de uma criança.
Nesta altura e com os desafios que nos se têm posto por vezes com o nosso pequeno trufãozinho, já sentia que gostava de ler um outro livro sobre a temática da pedagogia infantil, pois apesar de confiar imenso na minha intuição e na do meu amor maior como pais e de falar de diversos temas com a minha mãe, é sempre bom ler livros especialistas na matéria porque nos reavivam os pilares fundamentais que devemos seguir e tomar atenção.
Este livro é de facto um especialista na matéria de "educar bem" e resulta de uma pesquisa exaustiva não só do próprio autor mas também de muitos outros autores também especialistas na matéria. O livro guia-nos e elucida-nos sobre as "vacinas psicológicas" que devemos administrar aos nossos filhos para que neles cresçam os valores que melhor os irão preparar para todas as surpresas que a vida lhes trouxer.
Insiste em pilares fundamentais da educação que criem crianças que se saibam elevar perante um acontecimento menos bom, que sejam flexíveis, que se saibam adaptar às mudanças, que sejam sempre optimistas e bem humorados com a vida, que sejam resilientes, valentes, perseverantes, responsáveis, cooperantes, criativas, amantes do saber, respeitadoras, pacientes, tolerantes, esforçados e autónomos.
Ao mesmo tempo que li o Prepara o teu filho para a vida li o Mi Buenos Aires Querido.
Um livro de colecção, com uma edição muito bonita.
Eu sou suspeita, porque gosto imenso do trabalho do Carlos Vaz Marques e sendo ele o coordenador desta colecção (e também o tradutor deste livro em particular) não seria de esperar outra coisa que não esta bela edição.
O livro propriamente dito é muito bom, mas, mais uma vez, devo dizer que sou suspeita porque por norma adoro a escrita sul americana.
As descrições da cidade são lindíssimas e com conteúdos históricos e arquitectónicos muito interessantes.
Uma das informações singulares e curiosas que aprendi com este livro, entre outras, foi que Buenos Aires é das cidades do mundo com menos espaços verdes. Tem apenas 1,77 metros quadrados de espaços verdes ajardinados por habitantes, enquanto Nova Iorque e Bruxelas possuem uns fantásticos 20 metros quadrados de espaços verdes ajardinados por habitantes.
O autor não passa por todos os locais turísticos de Buenos Aires, mas sim por aqueles que estão inscritos no seu coração e nas suas vivências na cidade, como ele tão bem explica : " Frente ao desafio de escrever sobre a complexa cidade de hoje, e a impossibilidade de abarcar Buenos Aires na sua densa malha urbana - na realidade, há várias cidades distintas dentro dela, cada uma com as suas características próprias, inconfundíveis com as do bairro vizinho - vislumbrei uma única escolha possível: referir-me à "minha" cidade, (daí o título que dei a este livro), o espaço delimitado onde decorreu a minha já longa vida..." ... "... Mas quero ser fiel aos cenários que conheço em vez de fingir uma cidadania ecuménica, essa condição absoluta de portenho a que aspiram imaginariamente alguns vates antiquados."
Agora, para mergulhar por Julho a dentro, iniciarei o Canadá de Richard Ford.
1 comentário:
Engraçado..agora que dizes isso..é mesmo assim..realmente quando estivemos lá em Buenos aires não me lembro de ver muito jardins..do que me lembro..tem um parque muito grande e muitos poucos(ou quase nenhum)jardins espalhados pela cidade..
Já Nova Iorque apesar de ser uma cidade super densa...tem imensos jardins espalhados pela cidade com esquilos e flores!!E claro o Central Park que é enorme!
bjs
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