Na mesa de cabeceira #7 : : On my bedside table #7

Todas as minhas licenças de maternidade são muito pródigas em leituras. Isto porque sempre dei de mamar aos meus pequenos e amamentar durante cinco meses, gera muitas horas de pausa no nosso dia (ou não!). Nessas horas, quase sempre aproveito para deleitar-me com o meu bebe e decorar-lhe todos os pormenores, mas nas mais tranquilas, leio. Assim, acabo por ter sempre pelo menos uma hora de leitura por dia, o que na vida de um comum mortal é um luxo. Então quando tenho pela frente livros como o do João Tordo, muito, muito poderosos, é difícil não terminá-los num ápice.

A Biografia involuntária dos amantes lê-se de um fôlego só. É daqueles livros que não se consegue parar de ler e quando paramos estamos sempre curiosos com o que virá a seguir. A história, magnífica, empolgante e original, tenta mostrar-nos se é (im)possível existir vida depois de um grande trauma emocional, tudo escrito de uma forma magistral. Há diversas passagens do livro que ficam retidas na nossa memória de tão flagrantemente verdadeiras que o são, como: " Um dia acordamos esquecidos de nós e, no dia seguinte, andamos curvados no passeio à procura de coisas que não existem ou sentamo-nos a falar sozinhos nos cafés; esquecidos de nós e dos outros." Deixei-o com pena de não haver mais e com vontade de voltar a este autor.

Peguei entretanto no Se não podes juntar-te a eles, vence-os do Filipe Homem Fonseca que, por ser um livro pequeno, também já o terminei. Se este livro fosse mais volumoso, teria demorado bastante mais a conclui-lo, já que foi uma leitura não muito agradável para mim. É um livro que contém uma grande crítica à sociedade portuguesa actual, mas a forma como esta crítica é inserida numa história tão sinistra, desesperada e negra e o tipo de escrita corrida adoptado, deixou-me sempre com um mau sentimento de cada vez que o lia. Ainda bem que já terminou. 

Agora ainda não comecei nenhum outro livro... Estou indecisa entre o Canadá do Richard Ford ou o Mi Buenos Aires Querido do Ernesto Schoo, mas penso que me vou decidir por este último.


I read a lot in all my maternity licenses. I breastfed all my children during 5 months which gives me a lot of time breaks (or not!) during the day. During these time breaks I observe my baby and memorize all his details, but there is another time breaks, more peaceful, and in that ones I read. 
So, during my maternity licenses, I usually read at least one hour per day, which is really good, and if I catch a book, like João Tordo´s book, I finish it in a glance. 

I read the “Biografia involuntária dos amantes” (may be translated as – Lovers involuntary biography) very quickly because this is a kind of book which we cannot stop reading it, and when we stop, we are always wondering to continue it again. The wonderful, exciting and original story tries to show us it is (im) possible to have a life after a great emotional trauma, all written in a magnificent way. There are several passages so blatantly true in the book that we retain in our memory, like: "One day we woke up forgotten of us, and the next day, we walked hunched on the sidewalk looking for things that are not there or we sat on the cafes speaking alone, forgotten of ourselves and others". I left it wishing that it could continue and with the certain that I want to come back to this author. 

In the meantime, I caught Se não podes juntar-te a eles, vence-os (may be translated as – If you cannot join them wins them) by Filipe Homem Fonseca, which for being a small book, I had already finished it. If it was a larger book, I would certainly have taken much more time to complete it because this reading was not very pleasant for me. This book contains a great Portuguese society critique, but the way that this critique is inserted in such a grim, hopeless and dark history, always left me with a bad feeling, every time I read it. I´m glad it's over. 

Now I have not started any book… 
I'm undecided between Canada by Richard Ford or Mi Buenos Aires Querido by Ernesto Schoo, but I think I will choose the last one.

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