Há coisas....

... que pensamos que nunca poderão acontecer connosco e, caso um dia num qualquer furtuito aconteçam,  pensamos sempre que conseguiremos com certeza dominar a situação e acabar com ela em poucos segundos.
Mas não...

Antes de ser mãe, ou mesmo até quando já o era, quando passava na rua por miúdos a fazerem birras monumentais aos pais pensava cá para mim: " Que mal educado e os pais nem têm mão nele."
Pois, isso era dantes...

O António já se tinha ensaiado anteriormente para fazer uma destas grandes cenas na rua, mas nessa altura conseguimos sempre controlar mais ou menos a situação, ao ponto de não passar de mais do que alguns minutos de birra. Digo na rua, porque em casa quando acontecem teatros deste tipo, podemos sempre controlar a situação de outra maneira, com outras distracções ou simplesmente deixando-o curtir a neura (caso não seja uma neura excessiva e demasiado dramática). Agora na rua, com público em directo a avaliar cada um dos nossos movimentos, acções, palavras, a situação fica um pouco mais tensa.
Muitas destas birras são causadas por um factor emocional maior, sejam eles cansaço, doença, saudades ou qualquer outra situação menos bem resolvida no seu dia, que tornam a criança mais irritável e menos permeável a qualquer alteração. No entanto, há crianças e crianças, tal como há pessoas e pessoas. Cada uma tem a sua personalidade muito particular, que os leva a gerir uma situação semelhante de uma forma mais calma ou de uma maneira mais caótica e reivindicativa.

Ontem o António fez-me uma destas cenas monumentais, num café, enquanto aguardávamos que a Madalena terminasse a sua aula de música. Qual conversas a bem, qual anda cá que eu dou-te um abraço, qual está tudo bem, qual respira fundo e acalma-te, qual mas o que é que queres que eu dou-te, qual (já em forma de ultimato) não há mais bonecos, nem Buzzs nem Spiderman´s.
Simplesmente entrou em off.
A única coisa que fazia era gritar (e bem alto!) e espernear.
Os minutos que demorei a pegar em todos os cachecóis, casacos, casaquinhos, gorros e luvas a vestir a Maria com todos os apetrechos necessários para o frio e finalmente a pagar a conta (sem sequer ter consumido o que pedi) pareceram infindáveis.
Saímos porta fora e a comédia grega continuou até chegarmos à porta da escola de música. 
Decidi não dizer nem mais uma palavra. Qualquer acção ou palavra eram inúteis.
Chegou a Madalena entrámos no carro e finalmente calou-se.
O meu silêncio continuou. 
Quando chegámos a casa disse-me: "desculpa mamã".
De qualquer das formas, nos próximos dias nesta casa, não haverá desenhos animados para ninguém.
Sim, é verdade, que é um castigo que também alcança a Madalena, que não foi vista nem achada no assunto, mas não verem desenhos animados durante uns dias até funciona como desintoxicação e não fura a tripa a ninguém.

E a pensar que toda esta cena começou por culpa da bolacha de chocolate que se partiu ligeiramente num canto!
Haja paciência!

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