Cenário
Estou a falar com o António, a tentar "arrancar-lhe" qualquer coisa do que se passou no seu dia.
Ele distrai-se com o mais pequeno movimento (até com as migalhas em cima da mesa!) e tenho que insistir várias vezes até conseguir obter uma ou duas frases conclusivas.
"- E mais António, o que é que fizeram mais?
- .....
- António? Estás a ouvir-me?"
Ele olha para o infinito, às tantas sai-se com esta:
"- Na cuasse da Madame Muriel há uma munina muto bunita.
- Ai é?
- Sim. Paece uma pincesa.
- Ai é? E como é que ela é?
- Como uma pincesa.
- Mas como é que ela é?
- É bunita. Chama-se Sofia."
Eu bem tentei aprofundar mais o tema, mas a conversa, para ele, já tinha acabado há muito.
As crianças de facto são surpreendentes.
A Madalena que repara tanto em tudo na vida e no mundo que a rodeia, nunca alguma vez expressou o seu agrado ou comentou a beleza de alguém. Apreciar uma flor, um quadro, ou qualquer outro objecto é comum a Madalena fazer, mas a beleza de alguém, nunca ela antes o fez.
Já o António, que parece menos atento aos pormenores do mundo em geral, não conseguiu ficar indiferente à beleza da sua "copine"! Espectacular, a natureza do ser humano.
Entretanto, o António já me mostrou quem é a Sofia e ele tem razão "paece uma pincesa".
1 comentário:
Começa cedo....
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