Conversas entre mãe e filha #8

A propósito da perda da minha avó Emília a Madalena foi apanhando uma ou outra conversa no ar e depois deu nisto...
-"Mamã, quantas avós tenho?
-Então tu sabes, conta lá pelos dedos da tua mão.
- Avó Gilda, Avó Célia, Bivó Alda, Bivó Alice, Bivó Cesaltina e ... a Bivó Emília também conto?
-Pois, podes contar, também era tua avó. Mas olha, a Bivó Emília agora já não está connosco, ela estava muito doentinha e velhinha e agora ela é uma estrelinha no céu, que continua a ajudar-nos e a tomar conta de nós.
-Ai é?
-Sim.
-E como é que o corpo dela foi lá parar ao céu? 
-Bem, o corpo não foi para o céu...
-Onde é que ele está?
-Está guardado num jardim especial.."

Fica calada a pensar. Porque afinal este discurso para ela não deve ter muita lógica. Mas permanece nos seus pensamentos e não diz mais nada. A sua idade também não permite ocupar o seu pensamento demasiado tempo com este tipo de assuntos e ainda bem.

Eu tento aligeirar este tipo de conversas e explicações, apesar de nem tudo o que digo obviamente bater certo. Eu mesma sou assim para mim própria, também prefiro pensar que ela é uma estrela especial a olhar por nós. É difícil aceitar que de facto ela já não está cá, quando ainda está tão viva dentro de mim.

O meu amor maior nestas situações é mais pragmático e opta sempre pela verdade. Qualquer coisa ao estilo do filme de animação do Rei Leão, em que o ciclo da vida é explicado da forma mais natural do mudo, assim tal e qual como ele é.

A propósito destas explicações todas, temos um livro das edições Planeta Tangerina, muito bem escrito e original que se chama "Para onde é que vamos quando desaparecemos?"
Deixo aqui este maravilhoso livro, que fala do desaparecimento, como fenómeno natural que ele é.














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