A propósito da perda da minha avó Emília a Madalena foi apanhando uma ou outra conversa no ar e depois deu nisto...
-"Mamã, quantas avós tenho?
-Então tu sabes, conta lá pelos dedos da tua mão.
- Avó Gilda, Avó Célia, Bivó Alda, Bivó Alice, Bivó Cesaltina e ... a Bivó Emília também conto?
-Pois, podes contar, também era tua avó. Mas olha, a Bivó Emília agora já não está connosco, ela estava muito doentinha e velhinha e agora ela é uma estrelinha no céu, que continua a ajudar-nos e a tomar conta de nós.
-Ai é?
-Sim.
-E como é que o corpo dela foi lá parar ao céu?
-Bem, o corpo não foi para o céu...
-Onde é que ele está?
-Está guardado num jardim especial.."
Fica calada a pensar. Porque afinal este discurso para ela não deve ter muita lógica. Mas permanece nos seus pensamentos e não diz mais nada. A sua idade também não permite ocupar o seu pensamento demasiado tempo com este tipo de assuntos e ainda bem.
Eu tento aligeirar este tipo de conversas e explicações, apesar de nem tudo o que digo obviamente bater certo. Eu mesma sou assim para mim própria, também prefiro pensar que ela é uma estrela especial a olhar por nós. É difícil aceitar que de facto ela já não está cá, quando ainda está tão viva dentro de mim.
O meu amor maior nestas situações é mais pragmático e opta sempre pela verdade. Qualquer coisa ao estilo do filme de animação do Rei Leão, em que o ciclo da vida é explicado da forma mais natural do mudo, assim tal e qual como ele é.
A propósito destas explicações todas, temos um livro das edições Planeta Tangerina, muito bem escrito e original que se chama "Para onde é que vamos quando desaparecemos?"
Deixo aqui este maravilhoso livro, que fala do desaparecimento, como fenómeno natural que ele é.
Deixo aqui este maravilhoso livro, que fala do desaparecimento, como fenómeno natural que ele é.









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