Portugal e as Línguas


Portugal é um país com uma localização geográfica deliciosa no que diz respeito a muito mar, praias e sol. Mas esta localização no cantinho da Europa, faz com que a sua única fronteira terrestre seja a Espanha... Penso que esta realidade geográfica faz com que à partida, nós, portugueses, sejamos um povo com menos interesse em evoluir em outras línguas, que não o português. Os povos dos países que fazem fronteira com diversos outros países, são obviamente mais solicitados em termos de línguas, quanto mais não seja porque quando dão um saltinho a um dos países vizinhos para passearem, têm que obrigatoriamente calibrarem-se para a língua desse país e tratar de conhecê-la nos mínimos necessários para se fazerem entender. 
Tenho pensado um pouco acerca deste assunto, porque aqui em Bruxelas, qualquer pessoa, seja caixa de supermercado, médico, agente imobiliário, engenheiro, vendedor de electrodomésticos, almeida, funcionário do ikea, etc, falam pelo menos três línguas e saltam de uma para outra sem qualquer tipo de problema. Logo à partida, quando estas pessoas entram no mercado de trabalho mundial, e não pensando nos atributos individuais de cada uma delas, são profissionais mais fortes e competitivos por conhecerem e dominarem três línguas. É verdade que podem dizer que Bruxelas é uma cidade com características especiais que favorecem o domínio destas três línguas, mas o facto é que esta situação não se passa só em Bruxelas. Existem outros países, em que o desenvolvimento de mais do que uma língua oficial no próprio país, ou a proximidade com outros países, fazem com que os seus povos sejam mais aptos e interessados na aprendizagem de línguas.
O mundo é cada vez mais global e com o clima de mudança que se vive hoje em dia, julgo que apostar na aprendizagem forte de uma ou duas línguas, para além da língua materna, deve ser um objectivo a ter em conta na vida de qualquer adulto e deverá ser um factor preponderante na educação de uma criança.
Podemos ser seres humanos e profissionais altamente competentes e bem formados no nosso país de origem, mas quando toca de ter que abordar assuntos com temas muito específicos numa outra língua que não a nossa e quando não se tem o domínio completo dessa língua, pode-se facilmente passar por incompetente ou por menos sabedor de determinado assunto, quando isso não corresponde de todo à realidade.







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