A minha prima Joana sabe bem do que falo...
Uma das histórias da nossa infância, que, agora quando olhamos para trás nos rimos mais, foi uma manhã, em que já éramos todos crescidinhos, eu, o meu irmão e a minha prima Joana, tipo 11/12 anos, e a minha avó disse: "Vou ali num minuto ao Cabaz (o Cabaz era o supermercado ao virar da esquina) buscar uma coisa que me falta para o almoço, volto já". Na minha cabecinha tonta, um minuto começou a parecer-me uma eternidade e comecei a infernizar a minha prima e o meu irmão que algo não estava bem. Ao início eles não me ligaram nenhuma... mas a minha imaginação não descansava e para mim eu já não estava simplesmente na minha própria casa, para mim era como se estivesse a viver o episódio mais dramático e assustador da minha vida e por isso continuei a atormentar a minha prima e o meu irmão. Às tantas eles começaram a ceder e começaram também eles a ficarem agitados com todo o mesmo nervosismo. A história acabou com nós os três a gritarmos e a chorarmos que nem uns desalmados à janela: "Avóóóóóóó!!!!"
A rua inteira a ouvir 3 crianças a gritarem, incluindo todas as pessoas que estavam no supermercado e claro a minha avó!
Quando chegou a casa deu um raspanete aos três e acabou-se assim o nosso super episódio dramático em 3 segundos.
Esta tendência de fazer filmes dramáticos nunca me largou pela vida.
É claro que agora, mais madura, tenho truques para me acalmar e desdramatizar os filmes que vão espreitando no meu sub-consciente. Ocupo o pensamento e o corpo com mil e uma coisas diferentes para esquecer o tal filme, vou à rua dar uma volta, oiço música e canto, rio-me de mim própria... mas por vezes o filme teima em continuar a espreitar em cada recanto da minha imaginação.
Hoje, é um desses dias.
Hoje é o último dia do estágio de Verão da Madalena e do António e vão sair numa excursão a uma terra perto de Antuérpia chamada Sint Niklaas. Tem estado toda a semana a chover, a fazer vento e frio. Hoje está um bocadinho melhor, menos frio, menos vento mas ainda assim, chuva. É a primeira vez que eles saem assim numa excursão e pronto, o meu coração de mãe galinha acha logo que o condutor não é suficientemente competente para conduzir tanta criança e ainda por cima com chuva e nevoveiro e tal, e tal, e tal....
Que raio de belgas que têm a chuva já tão entranhada dentro deles que programam as agendas sem sequer consultarem a meteorologia (bem, o facto é que se ligassem à chuva, não fariam nada da vida), mas é também por isso que na terça-feira foram evacuados não sei quantos escuteiros e guias de um acampamento ao ar livre, durante a noite, por causa das condições meteorológicas!
Bem, estão a ver a minha imaginação, neste momento, vai a galope, o meu nó na garganta não desata e não tenho uma avó por aqui que me sacuda o pó e me dê um raspanete para me deixar destes filmes!
Ainda por cima, como de manhã a partida era muito cedo e nós chegámos a queimar ("põe casaco, olha a chuva, olha o farnel, espera, tenho que pôr a Maria no carrinho, corre!") chegámos lá, disseram logo que chegámos à justa, puxaram os dois, e nem um abraço e um beijinho repenicado na bochecha....
Espero ansiosamente que chegue as cinco da tarde para poder abraçá-los muito e dar-lhe muitos beijos e aí sim, começarmos as nossas férias grandes.
As mães são muito tontas e umas são mais que outras.

3 comentários:
Vai correr tudo bem,rita!olha faz lhes uns muffins( agora tenho andado numa de muffins de mirtilos )ou um bolinho que te vai ocupar um bom bocado e quando eles chegarem vão adorar!e o tempo assim passa mais rápido!beijinhos
Claro que vai correr tudo bem. Entendo-te muito bem, vivi uma semana assim quando a Joana, ao 6 anos, foi acampar com os Escuteiros.
Bjs
Anabela
Amiga "mãe-galinha"
Os teus pintos quando voltarem ainda vão sentir mais saudades da mamã, do papá e da maninha mais nova.
Prepara-lhes um miminho e abre-lhes os braços de par em par e dá-lhes um grande xi-coração.
Jokas :)
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