Quem tem filhos, ou quem adora os filmes de animação da Walt Disney, sabe que o "Jafar" é o "mau" do filme do "Aladino". Mas o Jafar de que vos falo aqui, não é este Jafar, é outro Jafar...
O Jafar, é iraquiano, é engenheiro mecânico, trabalhou durante 12 anos no Qatar e agora trabalha em Bruxelas, na mesma empresa que o meu amor maior. O Carlos, desde logo que o conheceu, percebeu que o Jafar é uma pessoa especial. A maneira como fala dele próprio, dos outros, da sua vida, da sua família, do seu país, a sua postura no trabalho, os seus objectivos, as suas devoções, fazem dele essa pessoa especial e um homem incomum. O Carlos vai partilhando comigo algumas das conversas que por vezes eles têm... Dentro de mim vou construindo uma personagem, com uma fisionomia e um carácter que de facto não sei se corresponde de todo à verdade, mas agrada-me este jogo e cada vez que oiço mais um pequeno detalhe ou história do Jafar, acrescento-lhe mais um sobrolho carregado, ou um bigode, ou um carácter mais forte ou um pouco mais doce. A última história que soube do Jafar foi de tal forma interessante e diferente, que não consigo deixar de partilha-la aqui.
No Iraque, quem decide com quem um homem casa, é a sua mãe. O Jafar, andava entretido nos seus afazeres de engenheiro, fora do Iraque, quando a sua mãe lhe telefonou e lhe disse que já tinha decidido a mulher com quem ele deveria casar. Explicou-lhe que era sua prima direita, que se dava muito bem com ela e que portanto ela tinha bom feitio e que para além disso era médica e terminou: " É a mulher certa para ti, é com ela que deves casar". Jafar acatou. Jafar nunca se tinha cruzado com a sua noiva, mas se a sua mãe lhe dizia que era a mulher certa, é porque de facto o era. A data do casamento foi marcada, mas nessa data Jafar não estava disponível. O casamento não deixou de se realizar nessa mesma data, tendo o pai do Jafar cumprido o papel do noivo no acto da cerimónia do casamento. Quando Jafar viu a sua mulher pela primeira vez, já estavam casados. Jafar terminou a conversa com o Carlos dizendo-lhe: "Se Deus me mandasse vir por sete vezes ao mundo, e nessas sete vezes eu pudesse sempre escolher uma mulher, eu escolheria sempre a mesma, a minha."
Nos tempos que correm, acontecimentos como este, tão distantes do que são a nossa cultura, os nossos costumes, do que é a nossa liberdade individual, deixam-me surpreendida...
É também por conhecer pessoas como o Jafar que o Carlos adora a actual empresa onde trabalha. A quantidade de nacionalidades diferentes, de saberes, de costumes, de línguas, de locais, todos misturados numa só empresa, fazem dela uma autêntica Babilónia, impossível de ficar indiferente e de não gostar.
Entretanto a personagem que foi crescendo e ganhando forma na minha cabeça já conheceu o verdadeiro Jafar... Esse encontro, partilharei mais tarde, num outro post.

Sem comentários:
Enviar um comentário